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Quando Santarém foi capital de cultura
05-06-2018

Um testemunho que recorda como era a vida cultural de Santarém em meados do século XX

Reviver Santarém nas décadas de 1940 e 1950 não o assumo apenas como um exercício de nostalgia mas também como um exercício de memória e, do fundo das lembranças que assim emergem, uma homenagem, alguns casos póstuma, a quantos nomes vão desfilar pela escrita.

Levo meio século corrido sobre esse meu tempo de estudante do Ateneu, de músico da Banda dos Bombeiros, de praticante de ténis de mesa e basquetebol nos Empregados do Comércio, de iniciado do jornalismo no Correio do Ribatejo. São muitos anos. Não esbateram as imagens mais bem gravadas, mas certos pormenores ficaram pelo caminho, tive de os avivar em outras fontes.

Santarém era nesses anos um centro músico-teatral por excelência, edificado sobre quatro instituições a Banda dos Bombeiros, o Orfeão Scalabitano, a Orquestra Típica e o Teatro Taborda, que foram os seus mais altos expoentes culturais. Os mais altos de sempre.

Até Wagner a banda tocava

Era com a sua banda de música, numerosa falange com muitos executantes de qualidade, dirigida pelo competente maestro capitão Manuel Canhão, que Santarém ouvia um reportório as mais das vezes de nível superlativo, tanto que até Wagner era convocado aos programas dos concertos no Jardim da República e no Teatro Rosa Damasceno. Era com ela que seguia para os toiros, ao compasso da marcha Alto Alentejo, nas tardes de domingo. Com ela ainda, os músicos em farda azul de gala, os capacetes dourados reluzindo, a multi-dão da cidade e vizinhanças recolhia-se em sentimento e respeito nas procissões do Senhor dos Passos, sobre o impressionante silêncio os sons tristes da Marcha Fúnebre de Chopin ou da tocante Crepes ao Vento, de Manuel Canhão.

Orfeão e típica ... e Belo Marques

O Orfeão Scalabitano e a Orquestra Típica Ribatejana acolheram esplêndidas vozes e instrumentistas que projectaram na cidade em todo o país, em espectáculos públicos e através da Emissora Nacional, que transmitiu de Santarém, do ginásio do Seminário, muitas das suas actuações.

O maestro Belo Marques, que sucedeu a Luís Silveira e dirigiu Orfeão e Orquestra com o seu talento e o seu bom gosto, e a graça daquele dedo mindinho, realizou uma obra notável, promovendo e dinamizando iniciativas que tiveram grande êxito. Escreveu operetas como o Sonho de Luísa e Homem do Ribatejo, levadas à cena no Rosa Damasceno - o popular Grão de Arroz é original de uma delas - e formou um Quarteto Vocal Masculino, com António Alfaiate, Casimiro Silva, António Gavino e Mário Clemente, que se apresentou em muitos serões recreativos da Emissora Nacional. Uma beleza, de equilíbrio, de afinação, de temas. Do quarteto vieram ainda a fazer parte António Ribeiro e Óscar Varanda. (Este último integrou muitos anos o coro do Teatro de S. Carlos). E não pode esquecer-se, antes valorizar-se com toda a justiça, a acção posterior do maestro Joaquim Luís Gomes, natural de Santarém, que se deu também com reconhecida competência à direcção da Orquestra Típica, para a qual, aliás, compôs várias peças.

Excelente grupo de teatro

No plano teatral, autores clássicos e contemporâneos foram representados por um escol de excelentes amadores como Carlos Mendes, Joaquim Campos, Francisco Baptista, Fernanda Figueiredo, Deline Martins, Helena Magalhães, Alexandre Passos, José Oliveira Solas, António Cacho, Nuno Neto de Almeida, Luís Nazaré Barbosa, Virgílio Barreira, outros e outras mais. O interesse pelo teatro traduziu-se ainda na visita a Santarém de algumas companhias profissionais, recordando-se uma apresentação de A C asa de Bernarda Alba, com Maria Barroso. Pairando sobre todo este movimento estava o Círculo Cultural Scalabitano, esse grande animador que foi o Dr. Ginestal Machado, e o Grupo de Coordenação Cultural constituído por Humberto Lopes, Faria de Castro o João Correia Vieira, João Pires Leal e António Cacho.

«Um homem do Ribatejo»

O Rosa Damasceno, palco de teatro e de operetas, tinha uma programação de cinema mais seleccionada que o Sá da Bandeira. A deste era mais popular, incluía regularmente filmes de aventuras em 31 partes, um nunca mais acabar de emoções, e de cowboys — com esse inultrapassável Buck Jones, herói em cavalo branco da minha -juventude. Ali, no Sá da Bandeira, beneficiando do livre ingresso concedido graças a uma entrevista a Amália Rodrigues, que fora cantar a Santarém, assisti várias noites à passagem das cenas filmadas de «Um Homem do Ribatejo», na presença do realizador Henrique Campos e da sua equipa técnica, e fiz a primeira audição, quantas vezes as fitas foram passadas, da Canção do Pescador, por Alberto Ribeiro, e do Fado da Sina, por Hermínia Silva.

Uma cernelha irrepetível

Nada atingiu tão alto em outras actividades, como essas manifestações de música, de canto, de teatro. Todavia, sendo Santarém terra de outra cultura, a taurina, como de passagem, com a banda, referi, importa sublinhar quanto era justamente admirada, nos famosos Forcados de Santarém, e por isso e aqui os evoco, a destreza e a coragem dos Abreus, António e seu filho José, meus vizinhos, da varanda de cuja casa assisti aos primeiros jogos de futebol no campo de «Os I deões» —, e a elegância e o senhorio de Jorge Duque e Rodes Sérgio. Desta céle-bre parelha, ficaram para todo o sempre, perguntem os novos aos mais velhos, naqueles que enchiam literalmente a praça nessa tarde, depois dos protestos aos infelizes pegadores alcochetanos de Artur Garrett, a sua descida à arena, em mangas de camisa, reclamados insistentemente pelo público que os descobriu nas bancadas, para a mais empolgante cernelha que alguma vez terá sido feita, provocando um autêntico pandemónio. Fernando Pires

 

Texto originalmente publicado no jornal Notícias do Ribatejo, edição de 7 de Setembro de 1993 

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