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José Carlos Garcia, uma vida de cantigas
18-03-2019

A voz de José Carlos Garcia animou muitos serões e matines dançantes por esse Ribatejo fora. Ao longo de vários anos, escreveu uma história de vida com muitas cantigas pelo meio.

José Carlos Garcia começou por cantar na rua durante as brincadeiras de criança. Nasceu em Santarém, a 18 de Março de 1934, na Travessa das Esteiras, no bairro do Pereiro. Com 11 anos de idade cantou pela primeira vez em público, num espectáculo organizado pela Juventude Operária Católica, onde representou “pequenos papéis secundários”, recorda. Os ensaios e alguns espectáculos tinham lugar no antigo ginásio do Seminário, actualmente ocupado pela Sala de Leitura Bernardo Santareno.

Por essa mesma altura, soube através de uma vizinha, que tocava violino no Círculo Cultural Scalabitano, que decorriam audições no Teatro Taborda, em Santarém, onde procuravam uma criança com voz de tenor para cantar numa peça musical em vias de estrear.

Apresentou-se “numa fraca figura, descalço e em calções”, após uma tarde de banhos no Chafariz de D. Rita. Não o queriam deixar entrar. Teimoso, insistiu e acabou por conseguir prestar provas perante o maestro Luís Silveira e a professora Judith David. Disseram-lhe ser “a voz indicada para aquela opereta”. Foi o escolhido para o papel de general Ferra Braz na peça “A Princesa Perolina”, uma fantasia lírica infantil, baseada num poema do coronel Cardoso dos Santos. Levada ao palco pelo Coral Infantil Scalabitano, foi apresentada a primeira vez no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, na Primavera de 1949.

Pouco tempo depois seria convidado a integrar o Orfeão Scalabitano, onde cantou como solista e chegou a participar em programas de rádio, transmitidos em directo pela então Emissora Nacional (EN). Pela mesma altura entrou para a Orquestra Típica Scalabitana (OTS), onde ficou mais de 20 anos, Cantou de Norte a Sul do país, dirigido por alguns dos maestros que marcaram a história da OTS.

A caminho de Lisboa

A participação em vários concertos difundidos pela extinta Rádio Ribatejo, levaram-no a ser convidado para se deslocar a Lisboa, para se submeter a testes de voz na EN, onde se cruzou com nomes como Tony de Matos, Artur Ribeiro, Alberto Ribeiro ou Domingues Marques. Passou com “boa classificação” no concurso a que foi sujeito, e obteve uma carteira profissional, que entretanto desapareceu.

Apesar de o título profissional ser uma porta aberta para uma possível carreira no mundo da música, “entendi que aquela vida não dava para mim”, pois “cheguei a uma altura em que pensei que a minha vida profissional era trabalhar e não cantar”, admite. Recusou, igualmente, convites para cantar junto da orquestra típica pertencente à EN, sob a direcção do maestro Belo Marques. “Como trabalhava, não tinha tempo para ir aos ensaios a Lisboa”, que decorriam às quintas-feiras.

Em 1955, assentou praça num quartel das Caldas da Rainha, onde cumpriu o serviço militar com o posto de 1.º cabo. Aqui, conheceu um primeiro-sargento, dirigente da colectividade local “Os Pimpões”, que o convidou a participar em algumas revistas levadas à cena, onde cantou pequenos números no entretanto demolido Cine-Teatro Pinheiro Chagas.

Em Santarém, integrou ainda o elenco de uma peça de teatro sobre a história e as lendas associadas à cidade, escrita pelo historiador Joaquim Veríssimo Serrão, e representada no Teatro Rosa Damasceno.

Serões para trabalhadores

Durante mais de 10 anos, José Carlos Garcia cantou nos chamados serões para trabalhadores, promovidos pela FNAT, a então Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, mais tarde substituída pelo Inatel. Actuou em praticamente todas as casas do povo do distrito de Santarém, com um grupo de artistas locais, onde se destacavam Dilma Melo, José Manuel Marques, José Luís Nazareth Barbosa, Nuno Netto de Almeida, Carlos Vitorino ou Milá Talaya, cantora que chegou a ter uma discreta carreira a nível nacional, que incluiu a gravação de dois EP’s, discos de vinil de pequeno formato, com quatro canções cada, ainda no decorrer dos anos 1960.

Numa época em que as emissões rádio dominavam, e a televisão ainda não se tinha imposto, “era com bastante entusiasmo que actuávamos em casas completamente cheias”. O espectáculo contava com artistas de diferentes méritos, desde imitadores, a cantores de fado e outras músicas mais ligeiras, até ópera e canto lírico, geralmente a cargo de Garcia. O reportório apresentado dependia do tipo de espectadores presentes em cada sala. Tanto podia contar com clássicos como “Granada” ou o “Sole mio”, como se podia cingir a temas de música ligeira, “mais populares, como viras”, lembra.

Desses tempos, guarda alguns recortes de imprensa, um deles extraído do jornal Correio do Ribatejo, de Dezembro de 1965, onde, a propósito de um espectáculo para a FNAT, se escrevia que nesse dia “abrilhantaram os recursos vocais de João Carlos Garcia, bem merecedor de uma bolsa de estudo”.

Num outro, publicado no Diário de Lisboa, a 2 de Setembro de 1966, a propósito de uma actuação na OTS na capital, o crítico Mário Castrim admitia que José Carlos, enquanto solista, “não nos enfiou barrete nenhum, apesar de o trazer ao ombro. Não canta ao Deus dará, nem descarrega tijolo. Canta com expressão e a voz tem volume e presença que não se encontram com frequência nos cançonetistas profissionais”.

Danças ligeiras

Ao longo dos anos, José Carlos Garcia integrou diversos grupos de música ligeira que animaram muitos dos chamados convívios dançantes realizados na região. Começou pela orquestra “Os Ribatejanos”, de São Vicente do Paul, acompanhou a “Orquestra Ribatejo”, de Almeirim, passou pela “Orquestra Danúbio”, do Entroncamento, e foi ainda convidado pela “Orquestra Scalábis”, de Santarém, “a melhor que passou por aí”, defende.

Fez também parte dos “Diabólicos do Ritmo”, posteriormente reconvertidos em “Conjunto Scalábis”, e cantou com a banda Dó-Mi-Sol, de Alpiarça. Pelo meio conheceu os músicos da banda espanhola “Los Anacruses”, num baile de carnaval, em Torres Vedras. Finalmente, juntou-se ao “Conjunto Figueira Padeiro”, com o qual actuou mais de 20 anos, até ter colocado um ponto final na sua longa carreira semi-profissional.

Dos anos de cantigas ficaram ainda passagens pela televisão, como a participação na RTP no concurso a “A Prata da Casa”, apresentado por Raul Solnado, ou o programa “Um dia no Ribatejo, transmitido durante os anos 1980, e que juntou várias das vozes da região. Neste, canta em cima de um palco montado no Jardim Portas de Sol, em Santarém. Fora de Portugal, actuou em países como Espanha, Hungria ou Inglaterra, sempre em “espectáculos de variedades” dirigidos para a vasta comunidade de emigrantes portugueses.

Carreira adiada

Apesar da atracção pelos palcos, nunca pensou seriamente em enveredar por uma carreira profissional. Começou a trabalhar com cerca de 11 anos num estabelecimento comercial de Santarém, onde viria a especializar-se em assuntos de óptica. Mais tarde, ficou com o negócio e, durante largos anos, até à idade da reforma, manteve-se como Oculista Garcia, com uma loja situada no centro histórico de Santarém.

Apesar de retirado, nos últimos anos, emprestou a voz ao tema da ‘Marcha dos Victores’, editada em formato CD pelo grupo onomástico ‘Os Victores’, colaborou com o exército, para o qual interpretou o hino dos boinas verdes e, mais recentemente, foi convidado pelo guitarrista Custódio Castelo, de Almeirim, a cantar uma música que veio a ser utilizada por uma das forças políticas envolvidas numa das campanhas eleitorais em Timor-Leste.

Longe de arrumar a voz, ainda se dedicou durante algum tempo, sobretudo a interpretar “fado canção”. Contudo, “tudo teve o seu tempo, tudo acabou”, constata com alguma saudade. Abandonou completamente as cantigas quando sentiu que perdera “o som metálico da voz”, que “desapareceu com o passar dos anos”. Hoje canta apenas entre amigos, muitas vezes “contrariado”, reconhece.

O gosto pela música manteve-se vivo na família, o filho, Cajé Garcia, que começou por acompanhar o pai a partir dos sete anos, é hoje um guitarrista profissional, com carreira internacional, tendo já tocado com nomes do fado como Marisa, Carlos do Carmo, Nuno da Câmara Pereira, João Braga, Carlos Zel ou Ana Moura. Carlos Quintino

Texto editado a partir de um artigo originalmente publicado no jornal Correio do Ribatejo,

de 10 de Fevereiro de 2012

Fotos da colecção de José Carlos Garcia

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