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O homem que foi castigado por defender a Torre das Cabaças
04-05-2019

A Torre das Cabaças quase foi deitada abaixo por ordem da Câmara Municipal de Santarém. Poupada no final do século XIX, enfrentou nova ameaça de demolição 30 anos depois. Em 1926, um funcionário da autarquia  que se empenhou na sua protecção foi punido por isso. A Torre é hoje um Monumento Nacional e o edifício mais reconhecido da capital ribatejana.

Perante a ameaça de ruína da Torre das Cabaças, a Câmara Municipal de Santarém nomeou uma comissão técnica para avaliar a sua consistência, em Abril de 1896. Pretendia-se saber se a sua estabilidade colocava em perigo a segurança pública.

Embora a Comissão tenha reconhecido a necessidade de se efectuarem trabalhos de reparação, não apresentou esse projecto junto da autarquia. Apesar de classificada como património municipal, a Torre não foi considerada um edifício indispensável nem obra de relevante arquitectura, pelo que não se justificava despender o alto custo das obras de conservação.

Dado o perigo de desmoronamento, perante o parecer técnico da Comissão, o destino da Torre parecia estar traçado, dando continuidade a uma política de ‘modernização’ que levou ao desaparecimento de grande parte do importante património histórico-monumental da cidade.

Dada a iminência da destruição da Torre das Cabaças, o escritor Ramalho Ortigão foi uma das personalidades que se manifestaram na sua defesa. Deixou mesmo impressa a sua indignação no livro ‘O Culto da Arte em Portugal’, editado em 1896. O protesto surtiu efeito, e a Torre acabaria por ser poupada.

A memória da cidade

Alguns anos depois, em 1926, é retirado da gaveta o relatório elaborado no final do século XIX. A Torre volta a estar da mira da demolição, dado o carácter vulgar do monumento, como foi considerado pelos técnicos da autarquia. Desta vez surgiu um movimento opinião público em defesa da manutenção da Torre, algo inédito para a época. Jornais locais, como o Correio da Estremadura e O Combate, associaram-se à causa, contribuindo para a formação de uma consciência popular, sensível à preservação do património escalabitano.

Após dar a conhecer o seu protesto contra o derrube desta obra de arquitectura civil, a recém criada Comissão de Salvação dos Monumentos de Santarém enviou o seu parecer para as instâncias nacionais. Os testemunhos históricos foram tidos em consideração, e a Torre seria finalmente classificada como monumento nacional, pelo decreto nº 14 985, de 3 de Fevereiro de 1928. Hoje será, porventura, o monumento mais reconhecido de toda a capital ribatejana.

Apesar do reconhecimento da importância histórica da velha Torre do Relógio, o principal activista da Comissão de salvaguarda do património local, o funcionário camarário Laurentino Veríssimo, sofreu na pele e na carteira as implicações de se ter empenhado na defesa do volumoso edifício.

Castigado por ter contrariado os planos que a autarquia tinha projectado para o local, Laurentino Veríssimo foi publicamente repreendido e alvo de uma “pena de suspensão por trinta dias, com perdas dos respectivos vencimentos e melhorias”.

O município tentou reparar o seu erro quando Laurentino morreu, em 7 de Dezembro de 1936. Em acta camarária ficou registado um profundo voto de pesar pelo seu falecimento, e todas as despesas do funeral foram pagas pela Câmara Municipal.

Um homem da terra

Laurentino Veríssimo, que hoje dá nome a uma Praceta de Santarém, deixou outras marcas na cidade onde nasceu, em 1855. Considerado um excelente músico, impulsionou a construção de cariz social, dirigiu a biblioteca e o museu da cidade, colaborou na imprensa local e esteve ainda envolvido na fundação da Associação Comercial de Santarém.

Em 1893 promoveu a construção de um bairro operário de habitação social, formado por uma correnteza de casas de piso térreo, na zona de São Lázaro. O chamado Bairro Laurentino localizava-se na Rua Pedro de Santarém, também conhecida como Rua do Matadouro. Resistiu até meados da década de 1980, altura em foi completamente arrasado, para dar lugar à construção de edifícios de habitação de maior volumetria.

Em 1914 foi designado para dirigir a biblioteca Camões, entidade municipal que, durante o seu mandato de duas décadas, passou de cerca de dois mil livros, para mais de 18 mil volumes. Além de ter conseguido significativas doações de particulares, alertou as autoridades locais para “que os documentos antigos em manuscrito que existam nos arquivos da Câmara transitem para a biblioteca municipal, o que se julga de muito útil engrandecimento daquele estabelecimento”, conforme ficou escrito em acta oficial.

Simultaneamente, foi nomeado Director do Museu Arqueológico, em 1915. Aqui, como conservador, tentou contribuir para a salvaguarda do que restava do vasto património escalabitano. Empenhou-se fortemente em reunir num mesmo espaço os artefactos arqueológicos descobertos ao longo dos anos. O seu trabalho aumentou significativamente o espólio museológico, que passou de 200 objectos, obtidos desde a fundação, em 1876, para mais de 800 peças. Além disso, deixou escrito um catálogo onde inventariou e organizou as peças existentes no Museu, ao qual juntou todos os registos feitos anteriormente.

Como homem interessado pela história nacional e património local, escreveu activamente para a imprensa regional, tendo publicado mais de uma centena de artigos em jornais como o Correio da Estremadura, Combate, Vale do Tejo, ou na revista Terra Branca. Apesar da reconhecida importância destes escritos para a historiografia local, estes textos nunca foram reunidos num mesmo livro.

Carlos Quintino

 
 

 

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