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Tourada: a cultura ou a violência?
31-03-2021

Korapat Pruekchaikul é professor de inglês e português no ensino superior em Bangkok, capital da Tailândia, o seu país natal. Em Portugal, frequentou a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, onde obteve um doutoramento em Linguística de texto e de discurso. Apaixonado pela cultura portuguesa, acompanhou diferentes manifestações nacionais, como o fado, a arte da azulejaria ou a tauromaquia. Em Junho de 2015, em Santarém, assistiu pela primeira vez na vida a uma corrida de touros à portuguesa, na companhia do historiador escalabitano, José Raimundo Noras.

Tourada: a cultura ou a violência?

                - É uma vergonha, pá, este evento.

                - Não quero vê-la. Deve ser sangrenta.

                - Quero muito ir lá contigo. Podemos?

                - “Pá”, é uma violação contra os direitos dos animais.

                - Já assisti a uma tourada espanhola, mas ainda não assisti a uma portuguesa. Quero ir lá.

Essas foram as palavras e reações dos meus amigos, muitos dos quais são tanto portugueses, como brasileiros, quando lhes disse que iria a uma tourada em Santarém. Alguns têm uma opinião positiva, dizendo que estavam interessados no evento, enquanto outros não gostam da tourada, pensando que é uma ação cruel contra os animais.

Entretanto, fui assistir à tourada com os meus amigos portugueses que também são nativos da Santarém. Era um sábado quente e iluminado pelo sol do mês de Junho de 2015. Havia muita gente nas proximidades da arena, fiquei curioso sobre o que lá iria acontecer.

A tourada a que assisti teve quatro sessões com diferentes cavaleiros e forcados. Durou quase três horas. Mas o que é semelhante em todas as sessões é que, no final, o touro, que o cavaleiro tinha magoado muitas vezes, foi extremamente cansado, muito irritado e gravemente ferido. Os meus amigos disseram-me que depois iriam matá-lo fora da arena. Tive pena, mesmo pensando que foi apenas um evento desportivo, em que o touro era sempre perdedor. Porém, senti, ao mesmo tempo, que, de certa forma, o animal negro morreria valente porque, antes de sair da arena, deixaram-no pela última vez golpear os forcados.

                Então, a tourada é a cultura ou a violência?

Sendo um estrangeiro em Portugal, considero que a melhor resposta a essa pergunta será comparar a tourada com uma atividade desportiva tradicional da minha terra: a Tailândia. No meu país há algumas atividades em que os animais, como os galos, os peixes ou mesmo os besouros, são utilizados em lutas. Não há regras exatas para essas práticas. Sabemos, contudo, que um animal vai ser vencedor se matar o outro ou ferir o oponente gravemente. Esta luta tradicional existe há muito tempo na Tailândia; porém, poucas pessoas a consideram uma atividade desportiva. Há gente que cuida especificamente dos animais destinados a essas lutas. Existem arenas onde lutam para que o dono do vencedor ganhe dinheiro. Além disso, houve mesmo um político que queria declarar a luta do “galinho” como o desporto nacional da Tailândia. Esta ideia falhou, no entanto, por causa do protesto de muitos tailandeses que diziam que era uma tortura aos animais, defendendo: “nós não somos bárbaros.”

Embora a tourada em Portugal e a luta dos animais na Tailândia sejam diferentes - a primeira é mais conhecida, publicamente mais aceite e mais ‘desportiva’ do que a segunda - as duas atividades refletem algo semelhante. É um facto: “em todas as atividades culturais dos humanos existe a crueldade.”

Digo assim, porque, a meu ver, não podemos recusar que os humanos são fundamentalmente animais, apesar da educação escolar e do ensino familiar. Por causa disso, muita gente gosta de vencer os outros, ou, pelo menos, quer ver outros a serem vencedores seja como for, mesmo com agressividade. Portanto, alguns ficam satisfeitos quando assistem a Muay Thai, bem como à tourada ou a uma luta de galos.

Em relação à tourada, que é mais ou menos parecida com a luta dos animais na Tailândia, é tida como cultura, dado que é conhecida há muito tempo. É a cultura, porque a tourada tem as normas e a ação cerimonial que os espetadores e os “jogadores” devem cumprir. Ainda assim, é cultura sendo considerada uma atividade social ou de tradição, mesmo que alguém a deteste. Claro, alguns portugueses adoram a tourada, enquanto outros não. Os portugueses sabem que existe a tourada neste país, mas não é obrigatório que todos assistam ao evento. Por outras palavras, se podemos escolher o que vamos comer, podemos escolher a atividade sociocultural em que queremos participar? Não é assim?              

De qualquer maneira, como já disse anteriormente, não devemos esquecer que a tourada também tem uma parte cruel. Essa atividade, mesmo que simbolize a coragem dos humanos e a bravura do animal, reflete a injustiça e os maus-tratos que os humanos dão aos animais, cuja capacidade de pensar é pouca e fraca. Nenhum de nós gostará que o tentem matar sem autorização. “A vida pertence-nos”, é ainda o conceito fundamental dos indivíduos.

Em conclusão, a tourada é semelhante a uma moeda que tem duas faces. Enquanto a primeira é cultural, a outra pode ser desumana ou sangrenta. Este fenómeno normalmente existe na nossa esfera social e não o podemos negar. Como a atriz americana Jodie Foster sustentou, no discurso de aceitação do Óscar, em 1988: “A crueldade pode ser muito humana e muito cultural, mas não é aceitável”. No meu ponto de vista como asiático, é necessário, portanto, que tenhamos a perceção e compreensão sobre este paradoxo. Korapat Pruekchaikul

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